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SEO ou Tráfego Pago em 2026: o Que os Dados Dizem Depois da Queda do Clique Orgânico

Um estudo da Ahrefs mostra queda de 58% no clique orgânico com a chegada do AI Overviews, e um levantamento brasileiro mostra que tráfego pago converte bem mais que SEO hoje. Veja como decidir a proporção certa entre os dois canais com dados reais, não achismo.

André Zucatti Estratégia · Mídia · Dados
· 10 min de leitura
Empresária analisando dados de tráfego do site em um laptop

Foto: Anthony Riera / Unsplash

Resposta direta: não é "SEO ou tráfego pago" — é entender que o SEO ficou mais lento e mais incerto, e o tráfego pago virou o canal que garante volume previsível enquanto a citação em IA (a nova fronteira do orgânico) ainda amadurece. Um estudo da Ahrefs com 300 mil palavras-chave mostrou que a presença de uma AI Overview no Google reduz em 58% o clique da página que está em primeiro lugar no orgânico. Ao mesmo tempo, um levantamento brasileiro com 173 milhões de acessos mostrou que tráfego pago converte de 1,4 a 1,6 vez mais que busca orgânica. Isso muda a proporção do investimento, não a lista de canais.

O que aconteceu: a IA do Google passou a "roubar" o clique que era seu

Desde que o Google lançou o AI Overviews (a "Visão Geral criada por IA" que aparece no topo da busca, respondendo a pergunta antes de qualquer link azul), o comportamento de quem pesquisa mudou. A pessoa lê o resumo gerado pela IA e, em boa parte dos casos, nem chega a abrir um site.

A Ahrefs mediu esse efeito duas vezes. Em abril de 2025, analisando 300 mil palavras-chave (150 mil com AI Overview e 150 mil sem, todas de intenção informacional), a empresa encontrou uma queda de 34,5% no CTR (taxa de cliques) da página na primeira posição quando havia uma IA Overview na busca. Em fevereiro de 2026, a Ahrefs refez o mesmo estudo com dados de dezembro de 2025 e o número piorou: a queda passou para 58%.

Em números absolutos: em dezembro de 2023, antes do AI Overviews, uma palavra-chave que hoje dispara IA Overview tinha CTR médio de 7,3% para quem estava em primeiro lugar. Em dezembro de 2025, esse CTR caiu para 1,6%. Como o próprio autor do estudo resumiu: "para cada 100 cliques que uma página no topo do ranking costumava conquistar, o Google agora fica com 58" (Ryan Law, Diretor de Marketing de Conteúdo da Ahrefs). Outros institutos chegaram a números na mesma faixa — a Seer Interactive mediu quedas entre 49,4% e 65,2%, e a Authoritas, de 47,5% — o que reforça que não é ruído estatístico de um único estudo.

E isso já vale para buscas em português. O Google levou o AI Overviews e o Modo IA para o Brasil em português no fim de 2025, e ampliou a oferta de recursos de IA no país ao longo de 2026 (Google for Brasil 2026, evento oficial da empresa em junho). Ou seja: o empresário brasileiro que via 10 cliques do Google todo mês para uma palavra-chave que ele rankeava bem, hoje pode estar vendo 4 ou 5 — mesmo mantendo a mesma posição.

Isso significa que SEO morreu? Não — significa que o jogo mudou de prêmio

O Google, oficialmente, discorda dos números. Em declarações públicas, o CEO Sundar Pichai chegou a afirmar que links dentro do AI Overviews recebem mais cliques do que teriam como resultado tradicional. O problema é que o Google não disponibiliza, no Search Console, uma forma de separar cliques de dentro do AI Overview dos cliques da busca "normal" — então essa afirmação não é verificável por quem está do lado de fora.

O que dá para afirmar com dados é o seguinte: o volume de cliques caiu, mas a citação dentro da resposta de IA virou um ativo novo, medido separadamente. Um levantamento do mercado brasileiro de geração de leads (Panorama de Geração de Leads no Brasil 2026, da Leadster, com 2.425 sites, 173 milhões de acessos e 3,4 milhões de leads analisados) mostrou que o tráfego que chega de IAs generativas como ChatGPT, Perplexity e Gemini converteu em lead a uma taxa mediana de 7,80% — a maior entre todos os canais medidos, acima até de Meta Ads e Google Ads. O problema é o volume: esse tráfego ainda representa apenas 0,10% do total de acessos medidos no estudo. É um canal de altíssima qualidade e baixíssimo volume — o oposto do que a maioria dos negócios precisa para bater meta todo mês.

Na prática: aparecer citado numa resposta de IA (o que o mercado chama de GEO — Generative Engine Optimization) já traz o lead mais qualificado que existe hoje, mas ninguém deveria substituir a geração de demanda mensal por esse canal sozinho, porque ele ainda é pequeno demais. Vale nutrir os dois: continuar publicando conteúdo que a IA cite (isso é tema de outro artigo aqui no blog, sobre como aparecer nas respostas do ChatGPT, Gemini e da IA do Google) e usar tráfego pago para garantir o volume que o negócio precisa hoje, não daqui a um ano.

O anúncio pago já está entrando dentro da resposta de IA — e isso muda a régua

Enquanto o clique orgânico caía, o Google começou a monetizar o próprio AI Overviews. Segundo a documentação oficial do Google Ads, anúncios de texto, Shopping, Local e apps já são elegíveis para aparecer acima ou abaixo do AI Overviews em mais de 200 mercados onde o recurso existe — o que inclui o Brasil. Anúncios dentro do bloco de IA (entre as frases da resposta) já rodam desde outubro de 2024, mas por enquanto só em buscas em inglês, em 12 países (Estados Unidos, Austrália, Canadá, Índia, Indonésia, Quênia, Malásia, Nova Zelândia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Cingapura) — o Brasil ainda não está nessa lista para buscas em português.

Isso quer dizer duas coisas para quem anuncia no Brasil hoje:

  • Seu anúncio já disputa espaço acima e abaixo do resumo de IA — não só contra outros anúncios, mas contra o próprio Google, que "rouba" a atenção antes que a pessoa role a página até os anúncios.
  • É questão de tempo até anúncios dentro do AI Overviews chegarem ao português — a expansão de 1 para 12 países levou pouco mais de um ano. Quem já estrutura campanhas de Pesquisa e Performance Max com boa cobertura de palavras-chave de cauda longa (o tipo de busca que mais aciona IA Overviews) vai herdar essa posição automaticamente, sem precisar criar nada novo, porque a elegibilidade usa as campanhas que já existem.

O que os números do mercado brasileiro dizem sobre onde investir agora

O Panorama de Geração de Leads no Brasil 2026 (Leadster) comparou a conversão mediana de cada canal de aquisição ao longo de 2025. A tabela abaixo resume o que mais importa para quem decide onde colocar o próximo real de orçamento:

Canal Conversão mediana em lead (2025) Volume de tráfego Leitura para o empresário
IA generativa (ChatGPT, Perplexity, Gemini) 7,80% Muito baixo (0,10% dos acessos) Lead excelente, volume irrelevante ainda
Meta Ads 3,91% Alto, escalável sob demanda Melhor conversão entre os canais pagos
Google Ads 3,41% Alto, escalável sob demanda Captura quem já está buscando a solução
Busca orgânica (SEO) 2,39% Médio, mas em queda de CTR Ativo de longo prazo, cada vez mais lento para começar a converter
Acesso direto 1,74% Depende de marca já conhecida Reflexo de reconhecimento de marca construído nos outros canais

Fonte: Panorama de Geração de Leads no Brasil 2026, Leadster (5ª edição, dados de 2025, 2.425 sites, 173 milhões de acessos, 3,4 milhões de leads). Conversão orgânica considerando apenas tráfego de busca, sem IA generativa.

Repare que Meta Ads e Google Ads convertem 63% e 43% melhor que a busca orgânica, respectivamente, nesse levantamento. Isso não decreta o fim do SEO — decreta que SEO sozinho, sem tráfego pago rodando junto, é hoje uma estratégia mais lenta e mais arriscada para quem depende de gerar demanda todo mês.

Como decidir a proporção entre SEO e tráfego pago no seu negócio

A pergunta certa não é "qual devo escolher", é "qual proporção faz sentido para o meu momento". Um jeito prático de pensar:

Pessoa faz a busca no Google, em português AI Overview responde resume a resposta na hora Maioria não clica queda de até 58% no CTR Anúncio acima/abaixo do AI Overview (já no Brasil) Citação orgânica no AIO GEO — ainda baixo volume Anúncio dentro do AIO hoje só em inglês, fora do Brasil Site, WhatsApp ou landing page do negócio
Situação do negócio Proporção recomendada
Precisa de vendas ou agendamentos este mês (a maioria dos negócios locais e e-commerces) Tráfego pago como motor principal; SEO e GEO como investimento de fundo, em paralelo
Já tem caixa de marketing consolidado e quer reduzir CAC no médio prazo Mantém tráfego pago girando e reinveste parte do lucro em conteúdo e SEO/GEO
Vende para nicho muito específico, onde a IA generativa é citada com frequência (ex: dúvidas técnicas, comparativos, "o que é") Investe em GEO desde já — o canal converte melhor e a concorrência para aparecer citado ainda é baixa

Erros comuns nessa decisão

  • Abandonar o SEO achando que "não serve mais". O SEO continua sendo a base para aparecer citado em respostas de IA — sem conteúdo bem estruturado e autoridade de domínio, não existe GEO. O que muda é a expectativa de retorno em cliques diretos, não a utilidade do trabalho.
  • Cortar o orçamento de tráfego pago achando que a IA vai substituir. O canal de IA generativa converte melhor, mas representa uma fração mínima do tráfego hoje — cortar mídia paga apostando nisso é trocar volume garantido por uma esperança de baixo volume.
  • Medir sucesso só pelo CTR ou pela posição no Google. Como o próprio CTR da primeira posição caiu estruturalmente, comparar a posição de hoje com a de 2023 sem considerar o AI Overviews leva a conclusões erradas sobre a "queda" do SEO.
  • Não medir de onde vêm os leads de fato. Sem um rastreamento correto (UTM, GA4, CRM), é impossível saber se o tráfego de IA generativa está de fato chegando e convertendo no seu negócio — a maioria das empresas brasileiras ainda nem separa essa origem no relatório.

Perguntas frequentes

O AI Overviews aparece em buscas em português no Brasil?
Sim. O Google levou o recurso e o Modo IA para buscas em português do Brasil a partir de setembro de 2025, e ampliou os recursos de IA no país ao longo de 2026, segundo anúncios oficiais do Google for Brasil.

Depois dessa queda no clique orgânico, ainda vale a pena investir em SEO?
Vale, mas com expectativa ajustada: SEO deixou de ser a fonte rápida de tráfego que era e virou, cada vez mais, a base para ser citado dentro das respostas de IA (GEO) e para construir autoridade de médio a longo prazo. Não é o canal para quem precisa de resultado neste trimestre.

Já existe anúncio dentro do AI Overview no Brasil?
Ainda não para buscas em português. Anúncios dentro do bloco de IA hoje rodam apenas em buscas em inglês, em 12 países. No Brasil, os anúncios de Pesquisa e Shopping já podem aparecer acima ou abaixo do AI Overviews normalmente.

Tráfego de ChatGPT ou Perplexity é bom só para infoproduto, ou serve para negócio local também?
O dado da Leadster não segmenta por tipo de negócio, mas a natureza do canal favorece quem responde perguntas específicas e comparativas — comum em serviços técnicos, saúde, jurídico e produtos de ticket mais alto. Para negócio local com decisão de compra rápida (salão, restaurante, loja de bairro), o volume desse canal hoje é baixo demais para depender dele.

Conclusão

Os números mudaram, mas a decisão de fundo continua a mesma que já tratamos aqui no blog quando falamos que ROAS não é lucro: o que importa é o resultado final no caixa, não a métrica isolada de um canal. A IA do Google cortou pela metade o clique que o SEO costumava garantir, e ao mesmo tempo abriu um canal novo, de conversão altíssima, mas ainda pequeno demais para sustentar um negócio sozinho. Na prática, isso empurra qualquer empresa que precisa de previsibilidade de vendas para reforçar o tráfego pago agora, sem abandonar o trabalho de conteúdo que alimenta a citação em IA no futuro. Quem já se pergunta quanto investir em tráfego pago tem, com esses dados, um argumento a mais para não deixar o orçamento de mídia paga refém da esperança de que o orgânico volte a converter como convertia em 2023.

Se você não sabe se o seu negócio está com a proporção certa entre o que gasta em SEO/conteúdo e o que gasta em tráfego pago — ou desconfia que está perdendo cliques que já pagou pela posição orgânica sem perceber — uma análise da GDA sobre os canais atuais e a origem real dos seus leads ajuda a decidir onde colocar o próximo real de orçamento com dado, não com achismo.

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