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ChatGPT Ads no Brasil: vale a pena colocar verba agora? O que dizem os primeiros números
Os anúncios no ChatGPT cresceram cerca de 330 vezes no Brasil em três semanas, mas os primeiros anunciantes relatam CTR baixo e números que não batem com o Google Analytics. Veja se vale investir agora, quanto testar e com que critérios decidir.
Foto: Naveen Ketterer / Unsplash
Resposta direta: para a maioria dos negócios brasileiros, o ChatGPT Ads em setembro de 2026 ainda é verba de teste, não canal de aquisição. O inventário existe e cresceu rápido no Brasil, mas os primeiros anunciantes relatam CTR mais baixo que o da busca tradicional e, principalmente, números da plataforma que não batem com o Google Analytics. Testar faz sentido com um orçamento que você pode perder inteiro; migrar verba do Google ou do Meta para lá, ainda não.
Em 11 de agosto de 2026 a OpenAI ligou os anúncios do ChatGPT no Brasil, junto com Reino Unido, México, Japão e Coreia do Sul (anúncio oficial da OpenAI). Três semanas depois, o Brasil já era o mercado que mais correu no mundo — e, ao mesmo tempo, começaram a aparecer os primeiros relatos de campanha que não fecha a conta. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo, e é exatamente isso que torna a decisão difícil para quem tem um negócio e precisa escolher onde colocar o dinheiro do mês.
Este artigo é a continuação prática de ChatGPT Ads: o que se sabe e como se preparar, publicado em junho, quando quase tudo ainda era especulação. Agora existem números.
O que mudou de fato: já dá para comprar sozinho, do Brasil
A mudança mais concreta para o pequeno e médio anunciante brasileiro não foi o lançamento em agosto — foi a abertura do Ads Manager em autoatendimento. A central de ajuda da OpenAI lista hoje o Brasil como país com self-service disponível, o que significa que você não depende mais de agência parceira ou do time de vendas da OpenAI para abrir conta e subir campanha. A exigência é que a empresa que anuncia e é faturada esteja sediada em um país da lista.
Vale entender quem, do outro lado, efetivamente vê o anúncio — porque isso muda o perfil do público alcançado:
| Situação | Vê anúncio? |
|---|---|
| Usuário do plano Free ou Go, logado, maior de 18 | Sim |
| Assinante Plus, Pro, Business, Enterprise ou Edu | Não |
| Conta identificada ou estimada como menor de 18 | Não |
| Conversa sobre temas sensíveis ou regulados (saúde, saúde mental, política) | Não — o anúncio não é exibido nesse contexto |
Fonte: OpenAI, “Testando anúncios no ChatGPT”, atualizado em 11/08/2026. Acesso em 07/09/2026.
Essa última linha merece atenção de quem é da área da saúde. Se o seu negócio é clínica, consultório, nutrição ou terapia, uma parte relevante das conversas em que você gostaria de aparecer é justamente onde a OpenAI decidiu não exibir publicidade. Não é proibição de anunciar — é redução de inventário no contexto que mais te interessa. Planeje o teste sabendo disso.
Outro ponto que muda o cálculo: os anunciantes recebem apenas dados agregados de desempenho (impressões, cliques). Não há acesso a conversas, histórico ou dados pessoais, e não existe a segmentação fina a que você está acostumado no Meta Ads. A plataforma já tem CPC e lances otimizados por resultado, Pixel próprio, API de Conversões, feed de produtos, segmentação geográfica e públicos personalizados — segundo a própria OpenAI, em 31/08/2026 — mas o desenho é mais parecido com um canal de descoberta contextual do que com uma busca por palavra-chave.
O Brasil foi o mercado que mais correu — e o leilão está enchendo
Dados da Similarweb obtidos com exclusividade pela EXAME mostram o tamanho da arrancada brasileira nas três primeiras semanas depois da estreia:
| Mercado | Respostas com anúncio | Crescimento |
|---|---|---|
| Brasil (3 semanas) | de pouco mais de 80 para mais de 27.700 | ~330x |
| México (3 semanas, mesma data de estreia) | de pouco mais de 90 para mais de 4.900 | ~54x |
| Japão e Coreia do Sul (1 mês, estreia em 22/06) | aproximadamente o dobro | ~2x |
Fonte: Similarweb, via EXAME, 06/09/2026. Acesso em 07/09/2026.
No mesmo período, o número de anunciantes únicos ativos por semana no Brasil saiu de menos de 70 para quase 2 mil — cerca de 30 vezes. E aqui está o detalhe que interessa a quem tem negócio: 85% desses anunciantes nunca tinham anunciado no ChatGPT antes. Não foi multinacional estendendo campanha; foi empresa brasileira testando. Entre os nomes locais identificados estão Casas Bahia, Magazine Luiza e Olist, além de agências brasileiras. Só 15% eram marcas globais que já usavam o canal, grupo liderado pela Booking.com.
A leitura estratégica é simples: a janela de “pouca gente disputando” existe, mas está fechando em semanas, não em anos. E como as respostas com anúncio cresceram mais rápido (330x) do que o número de anunciantes (30x), o inventário ainda está sendo aberto mais depressa do que a demanda — o que costuma segurar preço no começo. Isso não é promessa de CPC barato para sempre; é uma condição de largada que tende a se corrigir.
Os dois lados do número: o que a OpenAI mostra e o que as agências relatam
Aqui é onde a maioria dos conteúdos sobre o assunto escolhe um lado. Vamos colocar os dois na mesma tabela:
| O que a OpenAI divulga | O que anunciantes independentes relatam |
|---|---|
| US$ 1 bilhão em receita anualizada em menos de 200 dias, com dezenas de milhares de anunciantes em mais de 40 países | Agência canadense investiu US$ 415 em três campanhas por duas semanas e não gerou nenhuma venda |
| Um anunciante de e-commerce alcançou ROAS de 3x em 28 dias (caso citado pela empresa) | CTR de cerca de 0,6%, contra os ~2% que a mesma agência costuma ver em anúncios de busca |
| Um parceiro de tecnologia relatou que mais de 80% do tráfego vindo de anúncios era de clientes novos | Custo estimado de cerca de US$ 7 por clique, com visitantes que não interagiram com o site depois de chegar |
| Pixel, API de Conversões e integrações de mensuração de terceiros já disponíveis | Uma campanha registrou 57 cliques na plataforma e menos de 20 visitas no Google Analytics |
Fontes: OpenAI, 31/08/2026; MediaPost, “Data Reveals ChatGPT Ads Not Performing”, 28/08/2026 (campanhas rodadas no Canadá; valores em dólar, como publicados). Acesso em 07/09/2026.
Note que os dois lados podem estar certos. Os casos da OpenAI são exemplos selecionados de anunciantes grandes, com feed de produto e mensuração madura. Os relatos negativos vêm de campanhas pequenas, rodadas em junho — antes de a plataforma ganhar segmentação geográfica, públicos personalizados e otimização por conversão, recursos que só chegaram em agosto. Não é o mesmo produto.
Ainda assim, fazendo a conta com os números publicados na reportagem (US$ 415 por cerca de 9.000 impressões), o custo por mil impressões daquela campanha ficou perto de US$ 46 — caro para um canal de descoberta. Guarde esse número como referência do que não queremos repetir, não como benchmark do mercado brasileiro, que ninguém mediu direito ainda.
O problema que mais importa para você: a medição não fecha
Se houvesse um único motivo para não mover verba grande para o ChatGPT Ads agora, seria este. Vários anunciantes relatam que a contagem de cliques da plataforma não bate com o que aparece no Google Analytics — e nem sempre para o mesmo lado. Enquanto o número da própria plataforma não é confiável, você não consegue responder à única pergunta que importa: este canal está me dando lucro?
A saída prática é a mesma de qualquer canal com sinal ruim: não acredite no painel, acredite no seu caixa. Isso significa, na ordem:
- UTM em tudo. Toda URL de destino com
utm_sourcepróprio (por exemplo,chatgpt) eutm_campaignidentificável. Sem isso o tráfego cai em “direto” e some. - Pergunte no formulário e no WhatsApp. Um campo “como você chegou até aqui?” vale mais que qualquer dashboard neste momento.
- Meça pelo CRM, não pelo anúncio. Conte leads e vendas com origem marcada, e compare com o gasto do período.
- Instale o Pixel e a API de Conversões da OpenAI se for testar com seriedade — mas trate os números dele como estimativa até que batam com os seus.
Se essa divergência entre plataformas soa familiar, é porque não é exclusividade do ChatGPT: escrevemos sobre a mesma dor em Pixel, API de Conversões e GA4: por que seus números nunca batem.
Então dá para testar? Sim — com regra escrita antes de gastar
Testar cedo em um canal novo é uma estratégia legítima: você aprende com pouco dinheiro enquanto o leilão está barato e leva vantagem quando ele encarecer. O que não é legítimo é testar sem critério de parada e descobrir três meses depois que sumiram R$ 8 mil sem uma única venda rastreada.
Antes de subir a primeira campanha, defina no papel:
| Decisão | Como definir |
|---|---|
| Verba do teste | Um valor que você pode perder inteiro sem afetar o mês. Sai do orçamento de experimentação, nunca do que já está performando no Google ou no Meta. |
| Volume mínimo para ter leitura | Cliques necessários ≈ 5 ÷ taxa de conversão do seu site. Com 2% de conversão, são ~250 cliques só para ver 5 conversões e ainda assim com margem de erro alta. |
| Prazo | Janela fixa (2 a 4 semanas), definida antes. Sem prorrogar “só mais uma semana” no calor da hora. |
| Métrica de decisão | Leads ou vendas com origem confirmada no seu CRM — não impressões, não cliques do painel, não ROAS da plataforma. |
| Critério de matar | Escrito antes: “se ao fim de X semanas e R$ Y não houver Z leads rastreados, encerro”. |
A fórmula da segunda linha é uma regra de bolso de planejamento, não um benchmark da plataforma — serve para você não subir uma campanha com verba tão pequena que qualquer resultado seria ruído.
E vale a lembrança de sempre: mesmo que a plataforma reporte um ROAS bonito, ROAS não é lucro. Em um canal cujo custo por clique pode ser alto e cuja atribuição está instável, a distância entre “retorno reportado” e “dinheiro na conta” é ainda maior que o normal.
Erros comuns nas primeiras campanhas
- Migrar verba do que funciona. Tirar do Google Ads ou do Meta Ads para bancar o teste é trocar receita conhecida por hipótese.
- Achar que é busca por palavra-chave. O anúncio entra pelo contexto da conversa, que pode ter se formado em vários turnos. Criativo e oferta genéricos performam pior aqui do que na busca.
- Mandar o clique para a home. Tráfego caro merece página específica, com a oferta que o anúncio prometeu.
- Não marcar UTM. Sem isso, você fica refém do número da plataforma — justamente o que está sob suspeita.
- Ignorar que o público é do plano gratuito. Quem vê o anúncio é usuário Free ou Go. Para ticket muito alto ou público corporativo, essa base pode não ser a ideal.
- Confundir com aparecer organicamente na resposta. São coisas diferentes — e a orgânica costuma ser o melhor investimento de longo prazo. É o tema de GEO: como fazer sua empresa aparecer nas respostas do ChatGPT.
Perguntas frequentes
Preciso de agência para anunciar no ChatGPT no Brasil?
Não. O Brasil consta na lista de países com acesso self-service ao Ads Manager da OpenAI. A empresa que anuncia e recebe a fatura
precisa estar sediada em um país habilitado.
Quanto custa o clique no Brasil?
Não há dado público confiável de CPC no mercado brasileiro. Os únicos números divulgados até agora vêm de campanhas no exterior e
de casos selecionados pela própria OpenAI. Desconfie de quem afirmar uma média brasileira com uma casa decimal.
Meus concorrentes já estão lá?
Possivelmente. Em três semanas o Brasil saiu de menos de 70 para quase 2 mil anunciantes únicos ativos por semana, e 85% deles
eram estreantes no canal.
Sou da área da saúde. Consigo anunciar?
A restrição divulgada é de contexto: a OpenAI não exibe anúncios perto de temas sensíveis ou regulados, entre eles saúde e saúde
mental. Na prática, isso reduz o inventário justamente nas conversas mais próximas do seu serviço. Vale calibrar a expectativa
antes de investir.
Vale mais a pena investir em aparecer na resposta ou em anunciar?
Para a maioria dos negócios hoje, trabalhar para ser citado nas respostas (GEO) tem retorno mais duradouro. O anúncio é o teste
de canal; a presença orgânica é a construção de ativo.
Conclusão
O ChatGPT Ads deixou de ser hipótese: está no ar no Brasil, com self-service liberado, milhares de anunciantes e um crescimento de inventário de cerca de 330 vezes em três semanas. Também deixou claro o seu ponto fraco atual — a mensuração. A decisão sensata para quem tem negócio não é “entrar com tudo” nem “ignorar”: é entrar pequeno, com UTM, critério de parada e medição pelo próprio CRM, aprendendo o canal enquanto ele ainda é barato.
Quem vai perder dinheiro nessa fase é quem tirar verba de um canal que já funciona para apostar em um painel que ainda não fecha a conta.
Se você está olhando para o ChatGPT Ads porque o resultado do que já roda hoje parou de crescer, o teste de canal novo raramente é a primeira coisa a resolver. A GDA faz uma análise da sua operação atual — para onde vai a verba, o que realmente gera venda rastreada e onde há dinheiro parado — antes de recomendar qualquer canal novo. Fale com a gente e peça uma análise da sua conta.
Responda a um diagnóstico rápido e receba uma leitura inicial sobre onde o seu investimento em anúncios está perdendo dinheiro hoje.
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